Fernand Deligny e os rastros silenciosos de diferentes modos de ser humano
DOI:
https://doi.org/10.36592/opiniaofilosofica.2026.v17.1291Palavras-chave:
Deligny, Autismo, Linguagem, Percepção, HumanoResumo
Fernand Deligny, ao longo de sua trajetória, tanto em instituições francesas quanto em experiências não institucionais, dedicou-se à afirmação de modos singulares de relação com o mundo, afastados dos padrões hegemônicos que estabelecem modos de existências majoritários. Foi nas montanhas de Cévennes, contudo, em contato com crianças autistas não verbais, que ele pôde experimentar práticas voltadas ao inapreensível que permeava aquelas relações. Diante de indivíduos que se distanciavam das normas simbólicas forjadas por milênios de domesticação, Deligny propôs repensar a própria ideia de humanidade. A ausência de linguagem exigia outro regime de percepção e convivência, no qual se desfazia a centralidade da palavra como mediadora e doadora de sentido. Esse artigo propõe analisar os principais dispositivos utilizados por Deligny no lugar da interpretação linguística: a escrita, a câmera e os mapas. Através deles procurava-se dar conta do inapreensível que cercava sua relação com as crianças em Cévennes. Veremos, assim, de que modo se valorizavam os rastros silenciosos deixados no espaço e no tempo, pistas de uma presença que não se inscrevia nos moldes convencionais da subjetividade.
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